Comendador

Os Vinhos da Serra Catarinense são excelentes representantes do potencial dos vinhos Brasileiros, e o Comendador é uma dessas maravilhas!

Vinho com corpo, expressão e potência de aromas, um ótimo rótulo que merece ser experimentado!

No último mês fomos visitar amigos em Camboriú e, pela segunda vez, tivemos o prazer de experimentar um excelente vinho da Casa do Vinho: o Comendador. Esse vinho, que tanto gosto, para minha tristeza não é vendido no Rio de Janeiro, então a gente só tem o prazer de tomar essa maravilha no Sul ou encomendar aos amigos que lá vivem pra trazer pro Rio quando vem visitar a gente.

O vinho Comendador

O Comendador é um vinho de boutique com tiragem pequena, que foi concebido, e é vendido exclusivamente pela Casa do Vinho. A casa do vinho está localizada em São Joaquim e é especializada na venda de vinhos finos de altitude.

O vinho recebeu esse nome em homenagem, e reconhecimento, ao Sr. Vilson Borges, idealizador da Casa, personalidade importante na região da Serra Catarinense e o maior distribuidor de vinhos da Villa Francioni no Brasil (por isso o primeiro rótulo da família foi elaborado por eles).

Pesquisando sobre esse vinho, eis que descubro que o comendador na verdade é uma família composta de três grandes rótulos diferentes:

Comendador – Malbec, Cabernet Franc e Cabernet sauvignon

Comendador Merlot – Merlot

Comendador Cabernet Sauvignon – Cabernet Sauvignon

Cada um desses rótulos é vinificado por uma vinícola de altitude da Serra Catarninense, o primeiro deles foi feito pela Villa Francioni, e os dois seguintes foram elaborados respectivamente pela Vinícola Suzin (Merlot)  e pela Vinícola Hiragami (Cabernet Sauvingon).

Todos eles seguem a mesma linha de vinho com uma produção cuidadosa de poucas garrafas numeradas, muita estrutura e complexidade. Aquele tipo de vinho que merece um decanter para mostrar toda a estória que tem pra contar.

A Vinícola Villa Franccioni

Villa Francioni: Vinho Comendador

A Villa Francioni é uma imponente vinícola localizada em São Joaquim, Serra Catarinense, a 1.300 metros acima do nível do mar, o que propícia uma grande amplitude térmica entre o dia e a noite e favorece a maturação das uvas. A casa é fruto da paixão de um homem pelos vinhos, e essa paixão que fez com que ele fosse em busca de um excelente terroir brasileiro para seu projeto, e corresse o mundo em busca de conhecimento visitando as melhores regiões produtoras do mundo e fazendo contato com grandes especialistas.

Sr Manoel Dilor Freitas, o responsável por esse lindo projeto, criou um conceito que virou missão na vinícola: Celebrar a vida ao sabor de um vinho elegante elaborado com amor e arte. Infelizmente Sr. Dilor não teve o prazer de ver concluído seu projeto iniciado em 2000, ele  faleceu em 2004 antes das primeiras garrafas chegarem ao mercado, mas seu projeto teve continuidade, seguindo seu conceito, sendo administrado pelos seus três filhos.

Ainda não tive o prazer de conhecer essa Vinícola, mas segundo tudo que li, a propriedade é um belo projeto arquitetônico, que impressiona pelo tamanho e beleza. A Villa Francioni ocupa uma grande área de mais de 4.400 m2 e tem no seu prédio principal uma bela decoração repleta de obras de arte, herança da personalidade do seu fundador que além da paixão por vinho era apaixonado por arte.

Villa Francioni
Rodovia SC- 114 – Zona Rural, São Joaquim – Tel: (49) 3233-8200

Vínicola Hiragami

A Hiragami´s é uma empresa de imigrantes japoneses, que desde 1970 vinha produzindo maçãs com excelência na Serra Catarinense, quando em 2001 Fumio Hiramagi decidiu ampliar os negócios e investir na produção de vinhos finos. Cinco anos depois de muito estudo, foram implementados os primeiros vinhedos e em 2011 a vinícola teve sua primeira produção de vinhos no mercado.

A Vinícola Hiragami tem seus vinhedos a 1.427 metros de altitude em São Joaquim, o que garante um  terroir com o clima bem definido que propicia a produção de bons vinhos. Uma das principais características da vinícola é a produção de vinhos de excelência, o que é garantido através de muito cuidado em todo o processo, desde a seleção das uvas até a elaboração dos vinhos.
A junção do excelente terroir da vinícola com o cuidado na sua produção garantem vinhos únicos com complexidade e expressão.

Vinicola Hiramagi – 

Av. Irineu Bornhausen, 1277 – Subestação, São Joaquim – SC – Tel: (49) 3233-6900

Comendador Lote III

Vila Francioni: Comendador

Nossa primeira experiência com a Família Comendador no ano passado, foi o da Vila Francioni: o Villa Francioni VF Comendador 2009.

O primeiro rótulo dessa família, teve seus dois lotes anteriores esgotados e trouxe no lote III (etiqueta negra)  um vinho ainda mais potente.  O vinho (com produção de apenas 16.800 garrafas numeradas) é um blend de 60% Malbec, 20% Cabernet Franc e 20% Cabernet Saugvignon, com 16 meses em barricas de carvalho francês. O vinho tem bom corpo, acidez equilibrada e aromas de furtas negras, um pouco de tabaco e tostado, com graduação alcoólica de 14% e recebeu 96 pontos no ranking Best Wine Altitude SC.

Virei fã dessa maravilha na hora!

 

Comendador Cabernet Sauvignon 2009

Na nossa visita a Camboriú no último mês, experimentamos o Cabernet Sauvignon da família Comendador. Esse rótulo foi uma edição especial com apenas 3.000 garrafas, elaborado com uvas selecionadas da vinícola Hiramagi e tem passagem em barrica de carvalho francesa de primeiro uso por 15 meses.

Minha impressão  na hora foi que ele era estruturado como o anterior, com aqueles aromas complexos que eu gosto de tostado, ameixa, baunilha, um certo aroma de café e um final de boca redondo.

Na minha opinião, os dois vinhos são igualmente bons. Ambas as vinícolas elaboraram rótulos com maestria, o que garantiu a eles uma boa estrutura e complexidade. Um super vinho que merece ser degustado.

Em resumo…

Se você tiver a oportunidade de experimentar esses grandes vinhos, faça isso! Os vinhos tem corpo, alma, aroma, uma cor linda e muita estrutura, são daqueles tipos de vinho que depois que você toma, você não esquece mais.

Os rótulos da família comendador tem preço em torno de R$ 80,00, o que acho excelente para um vinho como esses. Vale o investimento!

 

Casa do Vinho – Rua Ismael Nunes, 124 – São Joaquim – SC

Vinícola Inconfidências

Produção de vinhos no Rio de Janeiro? Alguns anos atrás esse post viria seguido de uma sonora gargalhada! Afinal nosso clima não é muito atraente para as frágeis videiras. Mas felizmente graças a muito estudo e trabalho, essa história mudou, assim como está mudando o mapa da produção de vinhos no Brasil. E esse é um excelente motivo para abrir um bom vinho e comemorar. (Aliás, exatamente o que estou fazendo nesse momento!)

Em agosto de 2016 durante uma viagem para Itamonte (MG), meu marido (assim como eu, apaixonado por vinhos) mencionou que seria muito legal ter uma vinícola naquela região ou na Serra do Rio de Janeiro. Eu prontamente olhei pra ele e disse que amaria essa ideia, mas que achava inviável e que não se conseguia produzir vinhos no Rio. Nessa mesma época saia um artigo sobre uma vinícola no Rio de Janeiro do Marcelo Copello (uma referência quando o assunto é vinhos no Brasil)  e eu mal informada desconhecia completamente o assunto!

 Felizmente naquele agosto já tínhamos vários tipos de uvas sendo produzidas com sucesso aqui do lado em Secretário e eu sequer imaginava.

Eu só fui apresentada a essa novidade alguns meses depois, quando li um post no grupo do facebook Arredores RJ (que sempre tem boas dicas dos arredores da nossa cidade)  falando sobre a Vinícola Fluminense. Na mesma hora, lembrei da conversa e enviei uma mensagem (feliz da vida!) com o link para o marido dizendo: “Você estava certo, já temos vinícola produzindo bons vinhos no Rio de Janeiro!” 

Desde então, conhecer esse projeto inspirador de perto virou meta. E felizmente no final do mês passado, tive o prazer de conhecer a Vinícola Inconfidência!

Vinícola Inconfidência: Produção de vinhos no Rio de Janeiro

A história da Inconfidência e da Produção de Vinhos no Rio de Janeiro

A vinícola é de propriedade de um engenheiro aposentado do BNDES – José Cláudio Aranha, que preferiu o desafio de produzir vinhos no Rio de Janeiro, a relativa comodidade de produzi-los em Mendoza (Argentina) junto com outros amigos. José Cláudio, que já havia visitado várias vinícolas pelo mundo afora, não entendia porque esse tipo de projeto não era possível no Rio de Janeiro, mesmo com a altitude e as baixas temperaturas do inverno na Serra.  Essa insatisfação, aliada a muito trabalho, foi componente fundamental para que esse desejo virasse realidade.

Os primeiros passos desse projeto inspirador, foram dados em 2008, quando José Cláudio começou a realizar pesquisas e buscar a consultoria de especialistas da área. Em seguida começou a importante tarefa de correção do solo da propriedade, depois o licenciamento da área, compra de mudas, treinamento de pessoal, até que em 2010 foram plantadas a primeiras mudas e finalmente em 2013 teve sua primeira colheita.

Mas não pense que esse caminho foi fácil, pois além de todas as dificuldades já esperadas, ainda foi necessário lidar com as peculiaridades de uma região de Mata Atlântica que tem no seu interior desde formigas, passando por tamanduá bandeira, onça parda, lobo guará… mas com muito estudo e trabalho isso foi contornado e hoje em dia as videiras convivem em equilíbrio com os demais habitantes da região.

Vinícola Inconfidência: Produção de vinhos no Rio de Janeiro

Atualmente a vinícola só tem o plantio das uvas e não o maquinário para elaboração dos vinhos. Para isso elas são transportadas a noite (para evitar o calor) para Minas Gerais aonde todo o processo de vinificação é realizado com o suporte da EPAMIG (Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais) e da preciosa consultoria do Engenheiro agrônomo Murillo Regina.  Também foi ele o responsável por trazer as matrizes da França, através da empresa Vitácea Brasil (único viveiro brasileiro com licença para a multiplicação dos principais clones de vinhos franceses no Brasil).

A escolha de excelentes parceiros e o uso de novas tecnologias, foi fundamental para o sucesso desse projeto. O uso das mudas certificadas da Vitácea garantiu a qualidade genética e pureza sanitária, e a expertise da Epamig com sua vinícola experimental e tecnologia de dupla poda, permitiu elaborar bons vinhos mesmo com o clima do Rio e sem estrutura própria no local.

Nos primeiros anos foram produzidos vinhos com as uvas: Syrah, Sauvignon blanc e Cabernet franc, que foram as que melhores se adaptaram a região.  Hoje em dia a vinícola já tem até uma expressiva produção de Merlot, o que é um feito para região Sudeste, já que essa é uma uva com mais dificuldade de adaptação e exige maiores cuidados.

Vinícola Inconfidência: Produção de vinhos no Rio de Janeiro

 

Dupla poda ou poda invertida, o que é isso???

Mas afinal no que consiste essa tal poda invertida que vem mudando o mapa do vinho no Brasil? Essa tecnologia que vem ampliando as regiões produtoras de vinho no nosso país, é fruto de um trabalho de pesquisas da Epamig que já alcançou bons resultados no Sul de Minas, no Rio de Janeiro, São Paulo, na Bahia e Goiás.

A primeira vez que ouvi falar desse assunto foi em 2011, quando experimentei o vinho mineiro Primeiro Estrada. Fiquei encantada pelo vinho e fui pesquisar o assunto e uma das primeiras coisas que li foi: “Onde se faz café bom se faz vinho bom.” Palavras de Murillo, um dos responsáveis por esse trabalho. E ele tem razão, pois muitas dessas novas vinícolas nasceram de famílias já envolvidas com o campo e parte delas com tradição cafeeira.

A dupla poda consiste em alterar o ciclo produtivo da videira, em vez de realizar a colheita no verão, quando as chuvas são intensas e podem prejudicar o sabor e os aromas das uvas, colhe-as no inverno, com dias quentes e noites frias, que são ideais para o amadurecimento e colheita de uma uva com mais aroma e maior concentração de cor, o que contribui exponencialmente para qualidade do vinho.  O resultado disso muitas vezes é um vinho equilibrado com 14% ou 15% de álcool, que não precisa de correção pois tem a acidez necessária.

Impossívelnão virar fã dessa tecnologia que anda permitindo que esse nosso país gigante e lindo produza vinhos excepcionais em várias regiões diferentes.

 

Conhecendo de perto a Vinícola Inconfidência

A vinícola Inconfidência, apesar de não ter grande estrutura para receber visitantes, permite visita e degustação mediante agendamento prévio.

Fizemos contato com o André, gerente da Vinícola, durante a semana e no último domingo de setembro ele nos recebeu, nos levou para conhecer os vinhedos e nos apresentou seu belo vinho.

Vinícola Inconfidência: Produção de vinhos no Rio de Janeiro

A vinícola localizada em Paraíba do Sul (do ladinho de Secretário) entre as montanhas de Mata Atlântica, a apenas 20 km de distância de Itaipava, é uma bela propriedade onde é possível ver as seis variedades de uva produzindo lindamente em solo fluminense.

A área de plantio da vinícola é de cinco hectares e tem os seguintes tipos de uvas em produção: Cabernet franc, Cabernet Sauvignon, Merlot, Syrah, Sauvignot blanc e Viognier. As próximas castas que serão plantadas na vinícola são as italianas, como a Nero d’Avola, essa é  uma paixão pessoal do proprietário.

André contou pra gente um pouco sobre a sua história e a da vinícola e foi muito interessante perceber o que o vinho está fazendo na vida dele e na região. Ele, que originalmente tinha experiência com café e nenhuma intimidade com vinho, depois de vários treinamentos na Epamig e da experiência obtida nos últimos anos com a vinícola, fala com conhecimento e desenvoltura sobre as uvas, a elaboração do vinho e as especificidades de cada casta e dos vinhos produzidos com elas. Ele não só foi contagiado pelo vinho, como está levando vários de seus amigos para esse mesmo caminho, que apesar de longo tem trazido belos resultados.

Vinícola Inconfidência: Produção de vinhos no Rio de Janeiro

Os próximos passos da Vinícola

A vinícola tem seus próximos passos bem definidos, dentre eles o primeiro é a autorização do contra rótulo (já em andamento) para venda direta ao público até final de 2017.

Vinícola Inconfidência: Produção de vinhos no Rio de Janeiro

Um dos projetos para o próximo ano é a instalação da área para o processo de vinificação e também estrutura para receber os visitantes e uma loja para degustação e venda do seus vinhos. No primeiro momento, somente os tintos serão elaborados na vinícola, o vinho branco que exige mais cuidado continuará sendo feito em Minas na Epamig sob a batuta da Enóloga responsável Isabela Peregrino.

Vamos ao que interessa: Os vinhos da Inconfidência

Os vinhos da Inconfidência apesar de jovens, sem madeira e de videiras muito novas, foram bem avaliados na Grande Prova Vinhos do Brasil em junho do ano passado, com 82 pontos para o Cabernet Franc e 85 pontos para o Savignon Blanc. O que é um excelente resultado para uma vinícola com tão pouco tempo de vida.

No dia em que fizemos a visita, degustamos o Sauvignon Blanc 2015 que nos surpreendeu pelo seu aroma, untuosidade, frescor e acidez na medida. Confesso que não sou fã dos brancos e não é qualquer um que me agrada, mas fiquei muito impressionada com o deles. Não esperava um resultado tão redondo para um vinho tão jovem… Surpreendente!

Para próxima safra são esperados cinco rótulos diferentes e dentre eles uma assemblage de cabernet franc (56%), syrah (29%) e cabernet sauvignon (15%)… Que eu já estou ansiosa para experimentar!

 

#Dica da Paty: Quando estiver na Serra, seja Itaipava, Araras, Petrópolis não perca a oportunidade de conhecer esse projeto inspirador e apaixonante. Que ajuda a  lembrar a gente que com determinação, trabalho e paixão, tudo é possível!

Vinícola Inconfidência: 

Estrada Tiradentes, 4.000 – Sebollas – Paraíba dos Sul
Para agendar visitas: André (24) 9921.59483